Brasília – Em uma decisão que surpreendeu o Palácio do Planalto, a Câmara dos Deputados derrubou, por ampla maioria, o decreto que elevava o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) — medida apontada por opositores como um benefício exclusivo aos mais abastados. O projeto, aprovado por 383 votos a 98, cancelou o aumento que afetaria sobretudo operações relacionadas a crédito, câmbio e seguros.
O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos‑PB), foi quem pautou com urgência a votação, contrariando o governo e alegando seguir a “vontade da Casa”. Ele defendeu sua decisão afirmando que “quem alimenta o ‘nós contra eles’ acaba governando contra todos”, justificando sua postura como uma reação às pressões que vinham de setores preocupados com o aumento de impostos.
Entretanto, críticos acusam Motta de priorizar interesses privados, chamando a medida de “tratoraço” — termo usado por veículos como CartaCapital ao questionar a motivação da pauta, que não era obrigatória e foi incluída exclusivamente por iniciativa do presidente da Casa. Especialistas ouvidos pelo Brasil de Fato vêem na derrubada do IOF um reflexo acentuado da luta de classes dentro do Congresso, favorecendo grandes empresas e bilionários em detrimento das pautas sociais.

Além da polêmica tributária, cresce a insatisfação com Hugo Motta que vem se negando a pautar propostas populares para desenvolvimento social e econômico. Denúncias de engavetamento de pautas sobre saúde, educação, auxílio emergencial e segurança alimentar alimentam críticas de que o atual presidente da Câmara estaria “preferindo os amigos da Faria Lima em detrimento do povo”.
Enquanto a oposição lança campanhas nas redes com hashtags como #CongressoDaMamata, #HugoMottaTraidor e #RicosContraPobres, impulsionadas por conteúdo com apoio de inteligência artificial, o governo tenta reagir. A AGU entrou com uma ADI no STF contestando a constitucionalidade da derrubada, e líderes do PT anunciam mobilizações populares para pressionar pela reversão da decisão.
O episódio acende um debate intenso sobre prioridades no Legislativo: pautar redução da desigualdade social ou garantir os interesses financeiros dos mais abastados? E a julgar pela postura de Motta, em Brasília essa resposta será decidida no comando da próxima pauta.
